Insa – Instituto Nacional do Semiárido

Notícias

22.01.2014 Diretor do Insa destaca avanços de 2013 e prioridades para novo ano
Imprimir

foto sede2

Intensas ações voltadas à pesquisa e produção científica marcaram 2013 e agora a prioridade é consolidar o Sistema de Gestão da Informação e do Conhecimento do Semiárido Brasileiro

Focado no cumprimento de suas funções institucionais de articulação, pesquisa e informação para o Semiárido brasileiro, 2013 foi considerado como um ano muito produtivo pelo diretor do Instituto Nacional do Semiárido (Insa/MCTI), Ignacio Hernán Salcedo. Para isto, os pesquisadores desenvolveram várias atividades de pesquisa e produção científica nas áreas de Desertificação, Sistemas de produção, Recursos Hídricos, Biodiversidade, Tecnologias Sociais e Gestão da Informação e do Conhecimento voltadas para o Semiárido brasileiro.

Na área de sistema de produção, visando combater a praga da Cochonilha-do-Carmim, que ataca a cultura da palma forrageira em diversos estados do Nordeste, está sendo investido meio milhão de reais em projeto de implantação de 26 campos de pesquisa com variedades resistentes ao inseto. Nesta primeira fase, foram contemplados municípios da Paraíba, são eles: Bonito de Santa Fé, Soledade, Caturité, Zabelê, Sumé, Pariri, São João do Cariri, Boa Vista, São Domingos do Cariri, Santa Inês, Diamante, Itaporanga, Olho D’água, Catingueira, Santa Terezinha, Condado, Junco do Seridó, Juzerinho, Taperoá, Teixeira, Princesa Isabel, Remígio, Riachão, Cuité, Boqueirão e Campina Grande.

Em 2013 o projeto de difusão do Gado Pé Duro, que visa à conservação e utilização de raças nativas no Semiárido brasileiro, continuou com o plano de distribuição de bovinos para pequenos criadores e instituições públicas comprometidas com a preservação da raça. Foram distribuídos 24 animais divididos entre quatro estados: Alagoas, Bahia, Paraíba e Pernambuco.

Para combater a desertificação foram realizadas ações para o monitoramento sistêmico de processos de desertificação, desenvolvimento de tecnologias mecânico-físicas e biotecnológicas de recuperação e manejo de áreas degradadas, sistemas agroflorestais como estratégias de recuperação de áreas degradadas, dinâmica de sistemas agrícolas familiares resistentes e resilientes a eventos ambientais extremos, incubação de escolas rurais em núcleos de desertificação e estudo da biogeoquímica ambiental. Entre as ações para o combate à desertificação foi instalado um sistema micrometeorológico na Estação Ecológica do Seridó, município de Serra Negra do Norte (RN). O sistema é composto por uma torre de 11 metros para monitoramento diário das trocas de calor e massa entre a Caatinga preservada e a atmosfera e a região onde foi implantado, que faz parte do Núcleo de Desertificação do Seridó (RN). Dois sistemas micrometeorológicos já estão instalados na sede e na estação experimental do Insa, em Campina Grande (PB), e no ano passado foi expandido para o território potiguar.

Na conservação e uso sustentável da biodiversidade da Caatinga as pesquisas se concentraram na bioprospecção, conservação e avaliação dos recursos genéticos e bioquímicos, com estudos realizados sobre a diversidade genética e cariológica de plantas nativas. Um dos destaques da área foi a criação do Núcleo de Bioprospecção e Conservação da Caatinga (NBioCaat) que tem como missão promover uma maior integração entre instituições de ciência e tecnologia, indústrias e a sociedade em geral, objetivando identificar e avaliar recursos genéticos e bioquímicos do bioma Caatinga, visando não apenas estudos de estratégias para utilização da biodiversidade, mas também auxiliar na conservação das espécies do Semiárido brasileiro.
Também por meio do projeto “Produção de mudas de espécies florestais da Caatinga”, executado no viveiro da estação experimental do Insa, em 2013 foram produzidas 17 mil mudas de espécies florestais nativas e adaptadas ao Semiárido, e 10 mil doadas para agricultores da região promover o reflorestamento da Caatinga.

Por meio do Núcleo de Recursos Hídricos, o Insa dedica esforços em pesquisas que contribuam para o uso planejado de águas residuárias, o que implica em menor necessidade de captação dos recursos hídricos primários e de uma geração menor de efluentes. Para tanto as pesquisas realizadas na área de Recursos Hídricos focam no reúso de água no Semiárido Brasileiro para fins não potáveis, visando principalmente à produção agrícola e em tecnologias sociais de captação de água de chuva.

O Insa coordena atualmente o Projeto Águas, em parceria com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), com o Instituto Federal Baiano (IFbaiano) e a Cooperativa de Trabalho Múltiplo de Apoio às Organizações de Autopromoção (Coonap).  A duração estimada do projeto é de dois anos e, no final do prazo de execução, estarão instalados um sistema de abastecimento coletivo baseado na captação de água de chuva e um sistema de captação e distribuição de água e coleta de esgoto individual no assentamento rural Vitória, localizado a cerca de 20 km da cidade de Campina Grande (PB). Com o término do projeto serão atendidas 38 famílias de assentados rurais.

Em 2013 também foi oferecido um curso de “Aproveitamento de águas salinas na produção de hortaliças em sistemas hidropônicos alternativos para regiões semiáridas”, ofertado pelo Insa a um grupo de agricultores experimentadores em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Os pesquisadores desenvolveram um protótipo hidropônico alternativo que apresenta diversas vantagens: possibilita o uso de águas salinas impróprias para serem utilizadas no cultivo em solo; por ser compacto proporciona uma maior produção em pequenas áreas; funciona sem a necessidade de energia elétrica; possibilita o reuso da água; possui designer adaptado para evitar que o agricultor seja submetido a uma exposição prolongada ao sol ou tenha problemas de saúde decorrente de uma má postura do corpo durante o trabalho; produz alimentos em períodos de estiagem; possibilita a antecipação da colheita e uma maior durabilidade das hortaliças após serem colhidas.

Já o Núcleo de Desenvolvimento e Tecnologias Sociais vem realizando ações voltadas para o mapeamento, estudos e difusão das tecnologias sociais produzidas no Semiárido por comunidades tradicionais. Também vem propondo inovações metodológicas e desenvolvendo ações de apoio à formação educacional em cursos de pós-graduação, como é o caso do curso de Especialização “Processos Históricos e Inovações Tecnológicas no Semiárido”, que envolve 65 alunos oriundos de sete estados da região Nordeste. A especialização é uma parceria do Insa com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com financiamento do CNPq, e tem como objetivo capacitar técnicos e lideranças de comunidades e assentamentos rurais para o uso de tecnologias sociais sustentáveis no Semiárido brasileiro. A equipe também realizou ações voltadas para a discussão de modelos de economia criativa com as comunidades inseridas nos projetos desenvolvidos pelo Insa, para a análise de alternativas que possibilitem o crescimento solidário de comunidades e municípios da região semiárida.

Outra ação que teve importante repercussão na comunidade acadêmica e na sociedade, ao longo de 2013, foi o Programa Semiárido em Foco, realizado todas às sextas-feiras, às 14h, na Sede do Insa, em Campina Grande (PB), com entrada gratuita e transmissão ao vivo pela internet. A proposta do programa é difundir e refletir sobre pesquisas, experiências e conceitos associados ao campo da Ciência, Tecnologia e Inovação, a partir do diálogo permanente com diferentes segmentos da sociedade, na perspectiva da convivência sustentável com o Semiárido brasileiro.

O Semiárido em Foco encerrou o ano com mais de 35 atividades realizadas, envolvendo mais de 20 instituições e organizações sociais, oferecendo ao público uma programação diversificada com 19 palestras, 10 mesas-redondas, além de exposições de tecnologias e mostra de filmes. A garantia da periodicidade do programa e a qualidade dos debates e atividades contribuíram para consolidar o programa como um espaço para a reflexão e construção de novas propostas voltadas para pesquisas e ações para a convivência com o Semiárido brasileiro.

Em Nova Palmeira (PB) o projeto Semiárido em Tela, coordenado pelo Insa em parceria com o Cine Mandacaru, resultou na produção de 8 curta-metragens produzidos por 20 jovens e oito educadores da rede pública de ensino. O projeto tem como objetivo pesquisar, capacitar, registrar e difundir a ciência e a tecnologia por intermédio do cinema, sendo a própria população protagonista na produção de obras audiovisuais. Um dos filmes produzidos foi selecionado para participar do Festival Audiovisual Curta Picuí, a ser realizado no período de 24 a 26 de janeiro, no município de Picuí (PB).

O Semiárido em Foco e, mais recentemente, o Semiárido em Tela, têm-se constituído em importantes ações permanentes voltadas à difusão e popularização dos conhecimentos científicos, assim como propiciar a abertura para o diálogo com os diversos segmentos da sociedade e do compartilhamento de saberes científicos e tradicionais.

Outro projeto na área de educação científica e ambiental é o Ensaio Ambiental desenvolvido pelo Insa com crianças e adolescentes de escolas públicas rurais no entorno de sua Estação Experimental. Foram realizadas diversas oficinas de confecção de canteiros com materiais recicláveis, para plantio educativo de hortaliças e produção de mudas de espécies florestais e demonstração da importância da reciclagem para os alunos. O foco do projeto é promover a educação ambiental para a convivência com o Semiárido brasileiro.

Desde o início do ano passado encontra-se em processo de formulação e construção o Sistema de Gestão da Informação e do Conhecimento do Semiárido Brasileiro (SIGSAB), com dois portais web, sendo um destinado ao campo científico e outro destinado ao campo social e produtivo, cuja diferença será a segmentação da linguagem para dialogar com o público acadêmico e com as comunidades tradicionais.

Neles estarão disponíveis dados necessários ao compartilhamento e difusão de informações, voltadas ao fortalecimento dos estudos em ciência, tecnologia e inovação para o Semiárido brasileiro, e as experiências bem-sucedidas dos produtores rurais experimentadores. A ideia é reunir as informações que se encontram dispersas sobre a região, a fim de torná-las acessíveis à sociedade.

Para o diretor do Insa, “em 2014 o Instituto terá como prioridade consolidar o SIGSAB e disponibilizar o acesso à sociedade, de modo que propicie a geração de novas pesquisas que valorem o potencial do Semiárido brasileiro e subsidie políticas públicas adequadas à realidade da região”.

Texto: Assessoria de Comunicação do Insa

Foto: Sede administrativa do Insa, em Campina Grande (PB)

Voltar