O projeto sobre captação de água de chuvas e reúso propõe a instalação de uma Unidade Demonstrativa de Pesquisa em cada um dos nove estados do Semiárido brasileiro
Será inaugurada amanhã, dia 11 de março, terça-feira, a primeira fase da Unidade Demonstrativa de Pesquisa do Projeto Águas, no Assentamento Vitória, localizado na zona rural do município de Campina Grande (PB). A celebração acontecerá às 9h.
O Projeto Águas é desenvolvido pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Unidade de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-PB), por intermédio da Assessoria Técnica, Social e Ambiental (Ates), promovido pela Cooperativa de Trabalho Múltiplo e Apoio às Organizações de Autopromoção (Coonap), e estuda tecnologias de captação de água de chuvas e reúso em comunidades rurais do Semiárido. A pesquisa possui o intuito de desenvolver estudos de viabilidade técnica, econômica, ambiental e social das tecnologias de captação de água de chuva e de reúso de águas, para garantir a segurança hídrica para usos domésticos e de produção em localidades que apresentem vulnerabilidade hídrica.
O objetivo central do Projeto Águas é unir pesquisa científica, inclusão social e participação popular. Na Unidade Demonstrativa de Pesquisa instalada no Assentamento Vitória toda a infraestrutura foi construída com mão de obra da comunidade.
O sistema coletivo de abastecimento e tratamento de água pesquisado e instalado pelo Insa propõe uma maior segurança hídrica para as populações rurais do Semiárido. E quando a comunidade sente-se parte da construção de um projeto a auto-estima coletiva aumenta, e isso fica bem visível nos altos índices de participação dos assentados nos cursos técnicos oferecidos pelo Insa para manutenção e conservação do sistema hídrico.
Severino Miguel Cordeiro, presidente da Associação do Assentamento Vitória, relata: “o que o Insa trouxe para gente aqui, me deixa feliz. Só a tranquilidade da água limpa na sua casa é grande avanço para nós todos”. E completa “ uma cisterna como essa, com sistema encanado, meu Deus, é muito bom… queria que acontecesse em todos os lugares, ia me sentir muito feliz”.
A duração estimada das pesquisas em cada Unidade Demonstrativa é de três anos. No Assentamento Vitória, as atividades iniciaram-se em fevereiro de 2013 e estão programadas até fevereiro de 2016.
Pesquisa Hídrica para o Semiárido
O Projeto Águas compõe-se de 7 fases em cada Unidade de Demonstrativa de Pesquisa :
1º APROXIMAÇÃO – Mobilização, discussão e negociação com a comunidade alvo e os técnicos das instituições envolvidas para construção coletiva das soluções para garantir as famílias acesso a água para usos domésticos, tendo como principal fonte a captação de água de chuva e para a produção, o esgoto doméstico tratado, utilizando-se das infraestruturas já existentes.
2ª FUNDAMENTAÇÃO – Diagnóstico socioeconômico da comunidade alvo e da infraestrutura disponível.
3ª CONCEPÇÃO DO SISTEMA DE ABASTECIMENTO – Concepção, dimensionamento e implantação do sistema de abastecimento água, coletivo ou individual, para uso doméstico baseado nas tecnologias de captação de água de chuva. Nesta fase há uma negociação constante entre os entes envolvidos, também se definem as responsabilidades dos técnicos: concepção, dimensionamento e orientação técnica durante a implantação do sistema, e o público alvo: responsável pela implantação.
4º CONCEPÇÃO DO SISTEMA DE ESGOTAMENTO E DA UNIDADE DE REUSO
Concepção, dimensionamento e implantação do sistema de esgotamento sanitário e da unidade de reuso de águas, objetivando disponibilizar esgoto tratado para a produção de forragem, visto que a criação de animais é um componente importante na renda da população alvo. Nesta fase também há uma negociação constante entre os envolvidos, também se definem as responsabilidade técnicas: concepção, dimensionamento e orientação durante a implantação dos sistemas, e o público alvo.
5º FORTALECIMENTO DAS CAPACIDADES DA COMUNIDADE – Formação e capacitação continuada dos entes envolvidos, técnicos e público alvo, objetivando a execução do projeto.
6º REVISÃO DO CAMINHO PERCORRIDO – Nesta fase considera-se a sistematização, o monitoramento e a avaliação participativa em períodos pré-estabelecidos. Há o esforço de reforçar o senso inicial sem restringir a criatividade ou iniciativas, fazendo uma revisão progressiva da imagem de futuro e um resgate do passado numa linha de tempo para chegar a interpretações, sugestões que gerem melhorias.
7º FECHAR-ABRINDO – Nesta fase temos basicamente três etapas: apropriação e celebração das conquistas, reflexão das ações executadas e do protagonismo dos setores envolvidos e delinear futuras ações.
Rodeildo Clemente ( Assessoria Comunicação do Insa/MCTI).
*Atualizado em 11/03, às 8:44.
Português
English
Español 